Volatilidade
Mais uma vez analisando o VIX, índice de volatilidade dos mercados norte-americanos. Acompanhando as altas nos mercados mundiais, tivemos mais uma trégua do índice - atingindo (em queda) a marca dos 57.04 pontos - no entanto, de qualquer modo, volatilidade de um mercado ainda extremamente impraticável. O MACD do mesmo, rompeu a marca de seu último suporte.
Podemos tirar duas conclusões:
a) O mercado está de fato se acalmando, o VIX está rompendo a LTA (mas precisamos de um pivot para confirmação) e inicia-se uma tendência de queda. Eu sei. Pouco provável.
b) O mercado está se acalmando momentâneamente, o VIX está tocando na LTA e se preparando para um repique e novos movimentos de alta.
Análise geral
Após três dias consecutivos de alívio para nós investidores, acumulando (nos últimos 7 dias) uma alta de 10.77%, o nosso brazuca Ibovespa voltou a operar em queda. Entretanto, até o presente momento o mercado já recuperou grande parte das perdas no intraday - muito embora seja óbvia a tendência de fechamento (com uma disparada no final do pregão) em queda.
Todavia, grande parte dos mercados mundiais operam (ou fecharam) em alta no intraday, no semanal, por seu lado, somente a China registra queda de 14.06%. O tupiniquim Ibov registra baixa em suas operações devido às notícias de baixa no preço do minério de ferro e, por sua vez, subsequente baixa na Vale (blue chip da Bolsa de Valores de São Paulo).
Índices mundias de: 24-10-2008 e 31-10-2008
Nesse cenário, a despeito da desaceleração espanhola (retrocedendo 0,2% no 3º trimestre), os mercados mundiais se mantém operando em altas relativamente boas - um momento de alívio e retomada da racionalidade, bom sinal.
No que concerne aos mercados emergentes, segundo o "Financial Times", estes ganharam tempo para dar uma respirada - devido a redução na retirada de capital estrangeiro. Todavia a crise atinda vai se desdobrar mais e mais sobre a economia real e, portanto, ainda teremos diversos momentos de pânico. De fato os preços estão baratos e é tentador comprar, os 29 mil pontos representam um bom suporte, entretanto, acredito que ainda será rompido e o fundo do poço será encontrado mais abaixo.
Apesar de todo o pânico dado ao futuro da economia nas nações emergentes, graças a significante baixa no preço das commodities, contudo, vale ressaltar que o centro da demanda internacional transfere-se, cada vez mais, para a China, isto é, o nível de demanda é colossal - extremamente superior àquela vivenciada no pós 45, devido a reconstrução da Europa. Assim sendo, o consumo e (provável) recuperação dos preços das commodities está, de certa forma, apesar de todos os riscos ao usar tal termo, garantido.
As origens da crise: a bolha tecnológica, o relaxamento da política fiscal e a Guerra contra o terror (1999 – 2003)
As origens da atual bolha imobiliária e seu estouro, dando início à primeira crise econômica internacional, remontam a fins dos anos 1990. Segundo Dean Baker “Esse processo começou com a ultravalorização do mercado acionário.” (Baker, 2004). Durante a década de 1990, a despeito da Guerra do Golfo e da recessão econômica entre 1990 e 1991, o índice Dow-Jones – impulsionado pelo crescimento colossal no valor de ações do setor de tecnologia – valorizou cerca de 10.000 pontos, elevando-se dos 2.000 aos 12.000 pontos (8.000 desses somente na segunda metade da década, ou seja, em apenas cinco anos). Conseqüentemente, “Esses investidores tinham muito dinheiro em mãos para gastar com casas. As pessoas passaram a especular com os imóveis, sempre na expectativa de retornos cada vez mais altos" (Baker, 2004). De fato, qualificando a afirmação de Dean Baker, em janeiro de 1999, indicadores econômicos demonstravam as decisões de compra de imóveis novos em patamar recorde desde os anos 70.
Entretanto, a euforia econômica, fruto da valorização excessiva das ações negociadas na Nasdaq , figurava tão somente o prelúdio para o estouro de uma bolha especulativa no mercado e subseqüente desvalorização das mesmas. Muito embora a existência de bolha tecnológica no mercado financeiro fosse freqüentemente ignorada ou descartada, como o foi feito, no início de 1999, pela maior parte dos economistas americanos presentes em reunião promovida pela Associação de Economistas Americanos. No entanto, em 13 de março de 2000, pode-se afirmar que o estouro da bolha de tecnologia ocorreu: o índice da Nasdaq registrava então queda de 2,8%, desse modo, interrompendo uma alta acumulada naquele ano de 24%. Assim sendo, a partir de então, a bolsa de valores das empresas ligadas ao setor tecnológico amargaria queda de cerca de 40% até o final de outubro deste mesmo ano.
Nesse cenário, os Estados Unidos entrariam no século XXI, após um ano do estouro da bolha tecnológica, apresentando indicadores os quais davam sinal de recessão econômica doméstica: cortes significativos já ocorriam na taxa básica de juros; o “leading indicator” (uma média dos dez principais indicadores da economia norte-americana) apresentava queda, em dezembro de 2000, de 0,6%; o contingente de falências pessoais passaria somente a crescer, ano após ano; a taxa anualizada do PIB do quarto trimestre de 2000 registrara marca de 1,4% – a menor desde os 0,8% registrados em 1995; a recessão industrial e os subseqüentes cortes nas folhas de pagamento implicavam no aumento do desemprego.
Não obstante, somando-se aos inúmeros fatores negativos os quais afetavam os Estados Unidos nesse breve início de século, em 11 de setembro de 2001, o mito da inviolabilidade do território norte-americano seria refutado por ataques terroristas a seus símbolos de poderio militar e econômico: as emblemáticas torres gêmeas do World Trade Center – representantes do triunfo capitalista dos EUA – ruiriam após serem atingidas por aeronaves norte-americanas seqüestradas; o Pentágono – centro e signo do hard power estadunidense – também seria atingido por uma aeronave seqüestrada por terroristas. Nesse panorama, o republicano recém eleito presidente, George W. Bush, poria em prática uma política externa austera – iniciar-se-ia a, então denominada, “Guerra contra o terror”.
Desse modo, a despeito da fragilidade em que se encontrava a economia norte-americana, o governo Bush prosseguia com uma onerosa campanha militar – cujo custo fora, obviamente, subestimado pelo presidente norte-americano o qual afirmara que a guerra no Iraque despenderia apenas US$ 1 bilhão. O déficit das contas públicas dos Estados Unidos, de janeiro a dezembro de 2003, já somava US$ 375 bilhões. O Federal Reserve, por sua vez, em junho deste ano reduziriam a taxa básica de juros do país ao nível de 1% ao ano – menor nível desde o governo Truman em 1948 – nesse patamar, a taxa de empréstimo dos bancos aos clientes gira em torno de 4% e, evidentemente, a procura pelo crédito tenderia a crescer dramaticamente. Assim sendo, elevava-se a especulação imobiliária – setor primordial do crescimento estadunidense – e, por conseguinte, alimentava-se o desenvolvimento da bolha em tal âmbito.
Entretanto, a euforia econômica, fruto da valorização excessiva das ações negociadas na Nasdaq , figurava tão somente o prelúdio para o estouro de uma bolha especulativa no mercado e subseqüente desvalorização das mesmas. Muito embora a existência de bolha tecnológica no mercado financeiro fosse freqüentemente ignorada ou descartada, como o foi feito, no início de 1999, pela maior parte dos economistas americanos presentes em reunião promovida pela Associação de Economistas Americanos. No entanto, em 13 de março de 2000, pode-se afirmar que o estouro da bolha de tecnologia ocorreu: o índice da Nasdaq registrava então queda de 2,8%, desse modo, interrompendo uma alta acumulada naquele ano de 24%. Assim sendo, a partir de então, a bolsa de valores das empresas ligadas ao setor tecnológico amargaria queda de cerca de 40% até o final de outubro deste mesmo ano.
Nesse cenário, os Estados Unidos entrariam no século XXI, após um ano do estouro da bolha tecnológica, apresentando indicadores os quais davam sinal de recessão econômica doméstica: cortes significativos já ocorriam na taxa básica de juros; o “leading indicator” (uma média dos dez principais indicadores da economia norte-americana) apresentava queda, em dezembro de 2000, de 0,6%; o contingente de falências pessoais passaria somente a crescer, ano após ano; a taxa anualizada do PIB do quarto trimestre de 2000 registrara marca de 1,4% – a menor desde os 0,8% registrados em 1995; a recessão industrial e os subseqüentes cortes nas folhas de pagamento implicavam no aumento do desemprego.
Não obstante, somando-se aos inúmeros fatores negativos os quais afetavam os Estados Unidos nesse breve início de século, em 11 de setembro de 2001, o mito da inviolabilidade do território norte-americano seria refutado por ataques terroristas a seus símbolos de poderio militar e econômico: as emblemáticas torres gêmeas do World Trade Center – representantes do triunfo capitalista dos EUA – ruiriam após serem atingidas por aeronaves norte-americanas seqüestradas; o Pentágono – centro e signo do hard power estadunidense – também seria atingido por uma aeronave seqüestrada por terroristas. Nesse panorama, o republicano recém eleito presidente, George W. Bush, poria em prática uma política externa austera – iniciar-se-ia a, então denominada, “Guerra contra o terror”.
Desse modo, a despeito da fragilidade em que se encontrava a economia norte-americana, o governo Bush prosseguia com uma onerosa campanha militar – cujo custo fora, obviamente, subestimado pelo presidente norte-americano o qual afirmara que a guerra no Iraque despenderia apenas US$ 1 bilhão. O déficit das contas públicas dos Estados Unidos, de janeiro a dezembro de 2003, já somava US$ 375 bilhões. O Federal Reserve, por sua vez, em junho deste ano reduziriam a taxa básica de juros do país ao nível de 1% ao ano – menor nível desde o governo Truman em 1948 – nesse patamar, a taxa de empréstimo dos bancos aos clientes gira em torno de 4% e, evidentemente, a procura pelo crédito tenderia a crescer dramaticamente. Assim sendo, elevava-se a especulação imobiliária – setor primordial do crescimento estadunidense – e, por conseguinte, alimentava-se o desenvolvimento da bolha em tal âmbito.
P.S.: Parte de um estudo maior sobre a crise o qual divulgarei na íntegra em breve.
Assim disse Mateus às 11:46 0 comentários
Efeito Inglaterra pisando no freio
Mais um dia de pânico nos mercados mundiais. Corroborando com a tendência já anunciada pela retração econômica da China, isto é, com uma tendência de recessão na economia mundial, a Inglatera - quarta potência econômica mundial - anunciou retração de 0,5% em seu PIB somente neste último 3º trimestre, desse modo, todos os mercados mundiais registram quedas em suas operações.

O nosso brazuca Ibovespa opera em queda de 6,22%, desse modo, trabalhando próximo do patamar dos 29000 pontos - possível fundo do poço do atual bear market. Entretanto, caso o mercado rompa novamente as bandas de Bollinger devemos esperar mais um correção técnica para dentro das mesmas. O dólar, por sua vez, a despeito de sua disparada, a ação do BC surtiu efeito e o mesmo opera em queda - entretanto, registrando alta até o presente momento.

Assim disse Mateus às 08:39 0 comentários
Marcadores: Análises, Crise, Câmbio, Inglaterra
Crise: novas perspectivas, novos olhares.
É isso aí! Novidade chegando. Em breve, muito em breve, este jovem blog terá o privilégio de avaliar a atual crise na economia internacional e seus impactos através de um prisma, digamos, no minímo, interessante.
Mais notícias sobre em breve...
Assim disse Mateus às 13:58 0 comentários
Algumas considerações sobre crise.
Segundo o dicionário Houaiss, temos:
CRISE
Etimologia
Do latim: crìsis,is "momento de decisão, de mudança súbita, crise".
Do grego: krísis,eós "ação ou faculdade de distinguir, decisão" e, por extensão, "momento decisivo, difícil".
Avaliando o contexto atual, de fato, vivemos um momento decisivo na economia internacional cujo cenário econtra-se, inegávelmente, repleto de mudanças súbitas - uma crise. No que concerne a nós, investidores e estudiosos do mercado fianceiro, vivemos um momente difícil e precisamos saber distinguir quais ativos nos representam oportunidades - no curto, médio e longo prazo.
Falando em crise e oportunidade. Quem nunca leu em algum site ou blog sobre investimentos aquela famosa frase de John Fitzgerald Kennedy: "Quando escrita em Chinês, a palavra "crise" está composta de dois carácteres, um representa perigo, o outro representa oportunidade."
Nesse panorama, hoje o Diário Oficial da União divulgou MP autorizando o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal a constituir subsidiárias integrais ou controladas e adquirir participações de instituições financeiras, públicas ou privadas, sediadas no país.
Por conseguinte, temos, para ambos os bancos, uma grande oportunidade de crescimento e um possível subsequente reflexo na valorização de seus papéis no médio/longo prazo. Desse modo, por outro lado, nós temos a chance de avaliar tal oportunidade e, quem sabe, realizar alguns trades vitoriosos.
Efeito China pisando no freio.
Era mais do que óbvio que o anúncio de desaceleração na economia da China surtiria seus efeitos. Desse modo, grande parte dos mercados mundiais opera em queda hoje: DAX, Ibovespa, Dow Jones, Nasdaq, S&P, S&P/Tsx Composite Index, Aex, FTSE-100, SPMIB, Omx Nordic 40, Psi-20 e All Swiss operam em baixa.
Assim disse Mateus às 06:33 1 comentários
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