A interdependência complexa no sistema e relações financeiras internacionais: causas e consequências da primeira crise econômica mundial no século XXI

Primeiramente peço desculpas pela falta de posts, ultimamente outros projetos tiveram de ser priorizados. Assim sendo, para compensar o tempo ausente volto a realiza-los começando com a publicação de um estudo sobre a crise econômica internacional realizado ao longo de 2008 ao decorrer da mesma.

Introdução:

A deflagração da primeira crise econômica mundial no século XXI – a qual demonstrou seus primeiros sinais em meados de 2006 (surgindo os primeiros focos de problemas no mercado imobiliário norte-americano devido ao reajuste pelo Federal Reserve3 da taxa básica de juros) e atingiu seu ápice em setembro de 2008 (com o sistema financeiro internacional contaminado; o anúncio do pedido de concordata do gigante Lehman Brothers4; o fornecimento do pacote de socorro no valor US$ 85 bilhões para tentar evitar a falência da seguradora AIG – American International Group5 e a aprovação do mega-pacote de socorro norte-americano de, aproximadamente, US$ 700 bilhões) – dessa forma, devido às características observadas ao longo do processo de formação e estouro de tal crise econômica, é possível avaliar um importante atributo nas relações internacionais atualmente: a existência de uma interdependência complexa nos diversos palcos de ação dos atores globais, especialmente, no âmbito o qual nossa abordagem buscará privilegiar, o econômico.

Nesse panorama, o presente artigo terá por objetivo principal explicitar, através da crise econômica deste início de século, a existência – cada vez maior – de uma interdependência intrínseca às economias mundiais e suas implicações nas relações financeiras internacionais. Não obstante, o estudo aqui apresentado buscará avaliar as causas e conseqüências (existentes e doravante possíveis) da atual crise. Para tanto, o artigo dividir-se-á em quatro sessões: (a) A interdependência complexa; (b) A transformação da economia internacional – o mundo em rede e interdependente; (c) A primeira crise econômica mundial no século XXI; (d) Considerações finais.

Assim sendo, o primeiro escopo deste estudo consistirá em uma avaliação da Teoria da Interdependência Complexa, principalmente, através dos conceitos teóricos contidos nas obras “Power and interdependence”; “A sociedade em rede” e “Governança sem Governo: ordem e transformação na política mundial” – concomitantemente, a primeira de Robert O. Keohane e Joseph S. Nye Jr., a segunda de Manuel Castells e a última de James N. Rosenau e Ernst Czempiel. Assim sendo, por meio de tais trabalhos buscar-se-á compreender as implicações da revolução tecnológica6 (especialmente, da tecnologia da informação) sobre as relações internacionais. Desse modo, vislumbramos demonstrar de que forma as economias do mundo todo vêm se tornando progressivamente mais interdependentes, isto é, como estão conectadas em uma rede de comunicação extremamente complexa – permeada por diversos canais, nos quais diversos atores (além dos Estados-nação) são capazes de agir e interferir nas relações internacionais.

Prosseguindo, na segunda sessão do presente artigo, através das obras “O novo palco da economia global” de Kenichi Ohmae e “Economia internacional – Teoria e experiência brasileira” de Renato Baumann, Otaviano Canuto e Reinaldo Gonçalves, será avaliado o modo como operam as relações financeiras internacionais atualmente, em um sistema de interdependência econômica, isto é, buscaremos compreender a forma pela qual a economia global transformou-se devido aos desenvolvimentos obtidos no âmbito da tecnologia da informação, desse modo, permitindo significativo avanço na velocidade da globalização.

Depois de estabelecidas e avaliadas as premissas conceituais necessárias, no terceiro bloco, apresentaremos o cerne de nosso estudo, isto é, uma análise histórico-econômica da primeira crise econômica internacional deflagrada no final da primeira década do século XXI, dividindo-se nos seguintes tópicos: (a) sua origem e formação, isto é, quais medidas que foram adotas, nas últimas décadas, pela política e econômica norte-americana as quais engendraram a crise; (b) o desenvolvimento da crise: o aumento da inadimplência nos empréstimos subprime; (c) o ápice da sustentabilidade, ou seja, o processo de contaminação do sistema financeiro internacional e a aprovação do mega-pacote de socorro norte-americano.

Finalmente, buscando condensar as idéias contidas no presente artigo, faz-se necessário pontuar determinadas conclusões e críticas, para tanto, na quarta sessão deste tecer-se-á algumas considerações finais, avaliando as conseqüências já perceptíveis deixadas pela primeira crise econômica neste inicio de século XXI – as nacionalizações de colossais instituições financeiras, os bilionários pacotes financeiros de socorro, a contaminação do sistema financeiro internacional, bem como, levantar-se-á o questionamento das prováveis conseqüências no longo prazo: teremos o desenvolvimento de um novo sistema financeiro internacional? Quais seriam as novas diretrizes as quais regulamentariam as ações no âmbito financeiro mundial?

A Teoria da Interdependência Complexa:

Primeiramente, demonstraremos a perspectiva teórica sobre a qual serão embasadas as avaliações do estudo proposto no presente artigo, isto é, compreender as causas e conseqüências da atual crise econômica. Para tanto, através de determinados conceitos contidos nas obras as quais utilizamo-nos como referencial, faz-se necessário demonstrar que a revolução tecnológica propiciou o surgimento de inúmeros canais de comunicação cujo impacto sobre as relações internacionais – em todos os seus níveis, político, econômico, social, entre outros – fora notório. Desse modo, dada a infinidade de possibilidades de vias comunicativas, engendrou-se uma rede de interdependência complexa – cuja existência buscar-se-á demonstrar nessa primeira sessão.

O final do século XX e início do século XXI presenciaram o advento de uma revolução cujas conseqüências seriam incomensuráveis – a Revolução Tecnológica. Como afirma Castells (2000),

        “Uma revolução tecnológica concentrada nas tecnologias da informação está remodelando a base material da sociedade em ritmo acelerado. Economias por todo o mundo passaram a manter interdependência global, apresentando uma nova forma de relação entre a economia, o Estado e a sociedade em um sistema de geometria variável.” (CASTELLS, 2000, p.21).

Portanto, avaliando a afirmação de Manuel Castells, pode-se concluir que presenciamos a formação de um novo sistema internacional, isto é, devido ao desenvolvimento ímpar nas tecnologias da informação permitiu-se o surgimento de infinitos novos canais de comunicação, dessa forma, através de uma rede permeada por inúmeras vias comunicativas, se ampliou o nível de interdependência entre as economias do mundo todo, portanto, o sistema moldar-se-á devido à influência exercida por diversos atores. Desse modo, “As redes interativas de computadores estão crescendo exponencialmente, criando novas formas e canais de comunicação, moldando a vida e, ao mesmo tempo, sendo moldadas por ela.” (CASTELLS, 2000, p.22).

Assumindo tal perspectiva, isto é, a idéia de que o desenvolvimento nas tecnologias da informação proporciona o aumento na interdependência econômica internacional, considerar-se-á que a atual ordem global pode ser compreendida como “uma série de entendimentos rotineiros por meio dos quais flui a política mundial de um momento ao outro” (Rosenau, 2000, p. 16). Por sua vez, tais “séries de entendimentos rotineiros”, correspondem àquilo que atualmente avaliamos como globalização, a qual, sobre a perspectiva teórica de Keohane e Nye Jr. (2001, p. 229), consistem em:

        “... a state of the world involving networks of interdependence at multicontinental distances, linked trough flows and influences of capital and goods, information and ideas, people and force, as well as environmentally and biologically relevant substances (such acid rain or pathogens). Globalizations and deglobalization refer to the increase or decline of globalism”.

Desse modo, avaliando a qualificação de Keohane e Nye (2001) sobre a globalização, concluímos que as atuais relações internacionais são caracterizadas pela existência dessas relações de interdependência as quais segundo os autores:

        “In common parlance dependence means a state of being determine or significantly affected by external forces. Interdependence in world politics refers to situations characterized by reciprocal effects among countries or among actors in different countries” (KEOHANE; NYE, 2001, p. 7).

Portanto, faz-se necessário compreender como se dão as relações internacionais em tais circunstancias, isto é, em um sistema internacional interdependente no qual há situações de efeitos recíprocos entre os inúmeros atores do palco global. Para tanto, Keohane e Nye (2001) atribuem três características principais para entender as relações de interdependência complexa:

A primeira característica:

        “Multiple channels connect societies, including: informal tiés between governmental elites as well as formal foreign Office arrangements; informal tiés among nongovernmental elites (face-to-face and through telecommunications) and transnational organizations (such a multinational banks or corporations). These channels can be summarized as interstate, transgovernamental, and transnational relations.” (KEOHANE; NYE, p. 21).

Os múltiplos canais os quais permeiam a rede conectando inúmeras sociedades decorrem, principalmente, da revolução tecnológica e da informação. Por conseguinte, os custos das informações e transportes diminuíram, assim sendo, a velocidade de seus fluxos aumentaram. Desse modo, temos duas implicações: (a) as barreiras entre as sociedades democráticas tendem a diminuir significativamente – originando um processo do crescimento de suas relações e (b) os movimentos de fluxos proporcionados pela abertura dos múltiplos canais não mais acontecem apenas entre as burocracias estatais, ou seja, há a presença e atuação de novos atores relevantes no sistema internacional.

A segunda característica:

        “The agenda of interstate relationships consists of multiple issues that are not arranged in a clear or consistent hierarchy. This absence of hierarchy among issues means, among the other thing, that military security does not consistently dominate the agenda. Many issues arise from what used to be considered domestic policy, and distinction between domestic and foreign issues becomes blurred.” (KEOHANE; NYE, p. 21).

Tal característica, assim como a primeira, decorre da revolução tecnológica e da informação, portanto, o aumento na velocidade e quantidade de seus fluxos implica na transnacionalização dos temas, isto é, inúmeros assuntos cujos debates, até então, cabiam somente à esfera doméstica da política, passam a fazer parte das agendas internacionais. Assim, a realidade atual contempla uma situação de globalização multidimensional, isto é, a mesma desenvolve-se pelo aprofundamento no nível das relações de interdependência entre os mais diversos atores – governamentais, não-governamentais e organizações multinacionais – os quais, por sua vez, debatem os mais variados temas: sociais, ambientais, e, especificamente no que concerne ao presente estudo: econômicos.

A terceira característica:

        “Military force is not used by governments toward other governments within the region, or on the issues, when complex interdependence prevails.” (KEOHANE; NYE, p. 21)

Finalmente, a última característica nos permite avaliar como, através da combinação das duas primeiras, reforça-se a tendência à transnacionalização, dessa forma, desencadeando um processo de redução na utilização de políticas de beligerância entre os governos atuantes em condições de interdependência complexa.

Nesse panorama, inegavelmente, o cenário atual, isto é, o fato de uma bolha imobiliária norte-americana ter desencadeado uma crise econômica internacional, demonstra o nível de interdependência presente no campo da economia, como afirmou o vencedor do prêmio Nobel de Economia de 2008, Paul Krugman, "Nós acabamos de ver que a globalização financeira faz com que seja possível que uma crise na Flórida provoque caos econômico na Islândia." (KRUGMAN, 2008). Portanto, postas as bases Teoria da Interdependência Complexa, avaliaremos a seguir, especificamente, a interdependência na economia internacional, desse modo, buscando tornar mais nítida a compreensão do encadeamento: crise local – interdependência econômica – crise internacional.

A transformação da economia internacional – o mundo em rede e interdependente:

O final do século XX presenciou, no cerne de sua revolução tecnológica, o advento de um poderoso instrumento no âmbito da tecnologia da informação – a Internet – cuja aplicação e impacto se estenderiam muito além do que jamais se imaginara. Dessa forma, o progressivo desenvolvimento tecnológico assinalava, cada vez mais nitidamente, o surgimento da globalização, não mais como em outrora, isto é, meramente como conceito teórico, mas sim como uma realidade plausível e, surpreendentemente, presente em nosso dia a dia, dessa forma, diminuindo a importância (e, de certa forma, até mesmo a existência) das fronteiras nacionais, portanto, transformando a economia global – agora, e cada vez mais, interdependente e complexa.

Assim sendo, corroborando com tal perspectiva, Ohmae afirma:

        “Vivemos em mundo realmente em rede e interdependente, unido por uma economia global. No passado, o comércio e a economia eram como peças [...] apresentadas em teatros separados, para platéias distintas. [...] Agora o drama é representado em um enorme palco global. [...] Isso só se tornou possível graças aos avanços tecnológicos. Informações circulam livremente ao redor do mundo por meio de cabos de fibra óptica ou via satélite. A informação desafia barreiras físicas e políticas.” (OHMAE, 1999, p. 23).

Desse modo, qualificando as afirmações de Ohmae, notar-se-á que as mesmas vão ao encontro das análises propostas por Keohane e Nye Jr. e Mannuel Castells, entretanto, apresentando o diferencial de focar-se na característica econômica da interdependência internacional. Assim sendo, Kenichi Ohmae apresenta uma característica fundamental da economia global – a ausência de fronteiras. Obviamente, o autor não considera o mundo completamente livre de fronteiras, todavia, para tal “em termos de quatro fatores-chave de negócios, o mundo já atingiu a posição de efetivamente banir as fronteiras.” (OHMAE, 1999, p. 45). Nesse panorama, o autor denomina esse fatores de “os 4 Cs: comunicações, capital, corporações e consumidores.”, ou seja, tais elementos circulam livremente no palco global, dessa forma, permitiu-se que o sistema financeiro internacional atingisse um nível de interdependência muito elevado.7

Corroborando a afirmação de Ohmae, temos que

        “Essa percepção da importância da interação com outras economias tem aumentado de forma gradual, mas constante, nas últimas décadas, seja pelo crescimento dos fluxos de comércio internacional, seja pela crescente interação financeira em nível global que tem se acelerado nos últimos trinta anos.” (BAUMANN; CANUTO; GONÇALVES; 2004, p. 3).

Assim sendo, se as comunicações e o capital fluem livremente pelos milhões de canais os quais permeiam a rede global, o sistema financeiro torna-se, por conseguinte, mundialmente interdependente, dessa forma, um problema local ou regional pode, ao desenvolver-se, representar algo de amplitude internacional – tal como se pode observar na presente crise econômica internacional, cujo princípio fora os problemas de liquidez das instituições financeiras norte-americanas especializadas nos empréstimos imobiliários do tipo subprime.

Desse modo, tendo demonstrado a interdependência existente no sistema financeiro internacional, partiremos para uma avaliação do cerne do estudo proposto no presente artigo, isto é, buscaremos, através de uma avaliação da evolução da atual crise econômica internacional, compreender a forma sob a qual a mesma desenvolveu-se e, subsequentemente, contaminou toda a economia internacional.

A primeira crise econômica internacional no século XXI:

As origens: a bolha tecnológica, o relaxamento da política fiscal e a Guerra contra o terror (1999 – 2003).

As origens da atual bolha imobiliária e seu estouro, dando início à primeira crise econômica internacional do século XXI, remontam a fins dos anos 1990. Segundo Dean Baker “Esse processo começou com a ultravalorização do mercado acionário.” (BAKER, 2004). Durante a década de 1990, a despeito da Guerra do Golfo e da recessão econômica norte americana entre 1990 e 1991, o índice Dow-Jones – impulsionado pelo crescimento colossal no valor de ações do setor de tecnologia8 – valorizou cerca de 10.000 pontos, elevando-se dos 2.000 aos 12.000 pontos (8.000 desses somente na segunda metade da década, ou seja, em apenas cinco anos). Conseqüentemente, “Esses investidores tinham muito dinheiro em mãos para gastar com casas. As pessoas passaram a especular com os imóveis, sempre na expectativa de retornos cada vez mais altos" (BAKER, 2004). De fato, qualificando a afirmação de Dean Baker, em janeiro de 1999, indicadores econômicos demonstravam as decisões de compra de imóveis novos em patamar recorde desde os anos 1970.

Entretanto, a euforia econômica, fruto da valorização excessiva das ações negociadas na Nasdaq, figurava tão somente o prelúdio para o estouro de uma bolha especulativa no mercado e subseqüente desvalorização das mesmas, embora a existência de bolha tecnológica no mercado financeiro fosse freqüentemente ignorada ou descartada, como o foi feito, no início de 1999, pela maior parte dos economistas americanos presentes em reunião promovida pela Associação de Economistas Americanos. No entanto, em 13 de março de 2000, pode-se afirmar que o estouro da bolha de tecnologia ocorreu: o índice da Nasdaq registrava então queda de 2,8%, desse modo, interrompendo uma alta acumulada naquele ano de 24%. Assim sendo, a partir de então, a bolsa de valores das empresas ligadas ao setor tecnológico amargariam queda de cerca de 40% nos sete meses seguintes.

Nesse cenário, os Estados Unidos entrariam no século XXI, após o estouro da bolha tecnológica, apresentando indicadores os quais davam sinal de recessão econômica: cortes significativos já ocorriam na taxa básica de juros; o “leading indicator” (uma média dos dez principais indicadores da economia norte-americana) apresentava queda em dezembro de 2000 de 0,6%; o contingente de falências pessoais passaria somente a crescer, ano após ano; a taxa anualizada do PIB do quarto trimestre de 2000 registrara marca de 1,4% – a menor desde os 0,8% registrados em 1995; a recessão industrial e os subseqüentes cortes nas folhas de pagamento implicavam no aumento do desemprego.

Não obstante, somando-se aos inúmeros fatores negativos os quais afetavam os Estados Unidos nesse breve início de século, em 11 de setembro de 2001, o mito da inviolabilidade do território norte-americano seria refutado9 por ataques terroristas a seus símbolos de poderio militar e econômico: as emblemáticas torres gêmeas do World Trade Center – representantes do triunfo capitalista dos EUA – ruiriam após serem atingidas por aeronaves norte-americanas seqüestradas; e o Pentágono – centro e signo do hard power estadunidense – também seria atingido por uma aeronave seqüestrada por terroristas. Nesse panorama, o republicano recém eleito presidente, George W. Bush poria em prática uma política externa austera – iniciar-se-ia a, então denominada, “Guerra contra o terror”.

Desse modo, a despeito da fragilidade em que se encontrava a economia norte-americana, o governo Bush prosseguia com uma onerosa campanha militar – cujo custo fora, obviamente, subestimado pelo presidente norte-americano o qual afirmara que a guerra no Iraque despenderia apenas US$ 1 bilhão. No entanto, o déficit das contas públicas dos Estados Unidos, de janeiro a dezembro de 2003, já somava US$ 375 bilhões. O Federal Reserve, por sua vez, em junho deste mesmo ano, reduziria a taxa básica de juros do país ao nível de 1% ao ano – menor nível desde o governo Truman em 1948 – nesse patamar, a taxa de empréstimo dos bancos aos clientes gira em torno de 4% e, evidentemente, a procura pelo crédito tenderia a crescer dramaticamente. Assim sendo, elevava-se a especulação imobiliária – setor primordial do crescimento estadunidense – e, por conseguinte, alimentava-se o desenvolvimento de bolha em tal âmbito.

O desenvolvimento: aumento da inadimplência e os déficits do mercado imobiliário (2004 – 2007).

No último ano do primeiro mandato de George W. Bush, precisamente, em janeiro de 2004, a projeção do Federal Reserve do número de pedidos de falência pessoal nos EUA atingia novo nível recorde, superando os então 1,64 milhões de 2003. Segundo o Fed, sustentando-se através do crédito extremamente barato proporcionado pela taxa de juros em 1% ao ano, os cidadãos das classes média e baixa – desempregados devido ao fato de a economia não crescer numa cadência satisfatória – gastavam um valor médio das faturas de US$6.000,00. Cinco anos mais tarde, no início de 2008, a relação da dívida dos domicílios americanos com a renda disponível atingiria níveis acima dos 130%.

Aprofundando a formação de um cenário negativo na economia doméstica estadunidense, no final de janeiro, o mercado imobiliário norte-americano anunciava um aumento de 16,36% nas vendas de casas em 2003 e juntamente os preços sustentavam valorização recorde de 7,5%, a maior valorização anual dos imóveis desde 1980, durante o governo de Ronald Reagan – agravando, portanto, o risco de uma bolha no mercado imobiliário estadunidense. Não obstante, dois dias após o anúncio, o Federal Reserve, em sua primeira decisão sobre a política fiscal dos EUA no ano de 2004, optou por manter a taxa básica de juros em 1% ao ano – desse modo, o crédito excessivo continuaria a ser o anteparo da economia norte-americana.

Entretanto, paradoxalmente a lógica de perspectiva de crescimento econômico e inexistência de uma bolha imobiliária adotada pelo governo – expressa em sua prolongada política de juros baixíssimos adotada pelo Fed – em 15 de fevereiro, o Centro de Pesquisa de Economia e Política (CEPR) apresentava pesquisa revelando uma valorização excessiva nos valores dos imóveis, cujos preços alimentavam uma bolha de US$3 trilhões. Vale ressaltar ainda que, a despeito do apelo de Alan Greenspan, então presidente do Fed, para que se adotasse determinada austeridade fiscal, George W. Bush, influenciado por questões eleitorais e pelo baixo nível de geração de empregos10, optou pela manutenção da política econômica vigente, isto é, baixa taxa de juros.

Nesse cenário, em junho de 2006, após sucessivos aumentos na taxa básica de juros iniciadas em junho de 2004, o Fed, anunciava novo aumento de 0,25%, para 5,25%. Desse modo, devido à inadimplência em empréstimos do tipo "subprime" a qual atingia níveis históricos, o mercado imobiliário americano começou a sofrer, com preços dos imóveis caindo e aumento na inadimplência de devedores. Assim sendo, inúmeros indicadores econômicos deste ano corroboravam a existência de uma bolha no setor imobiliário – segundo a Associação Nacional de Corretores, as vendas de casas já construídas nos EUA tiveram um queda de 4,1% em julho na comparação com junho, chegando a uma taxa anualizada de 6,33 milhões de unidades – menor nível desde janeiro de 2004; o preço médio das casas no mês passado ficou em US$ 230 mil, 0,9% acima do registrado no mesmo mês de 2005 e menor avanço em termos anuais desde maio de 1995; segundo o Departamento do Comércio, as vendas de casas novas nos EUA tiveram queda de 4,3% em julho, atingindo a taxa anualizada de 1,072 milhão de unidades, desse modo, representando o maior recuo desde fevereiro do mesmo ano, quando houve declínio de 11,5%.

Dessa forma, devido ao aumento da taxa básica de juros estadunidense e conseqüente aumento da inadimplência no pagamento das hipotecas, todo o mercado subprime fora contaminado ao longo de 2007 e, subseqüentemente, devido à interdependência existente na economia internacional, o mercado financeiro mundial fora também contaminado como um todo – direta e indiretamente. Nesse panorama, em abril deste ano, a bolha imobiliária não só provar-se-ia existente, bem como de grande amplitude, a New Century Financial, especializada no segmento "subprime", pediria concordata listando mais de US$ 100 milhões em dívidas e anunciaria um corte de 3.200 empregos, para reduzir custos e preparar-se para uma possível venda. Prosseguindo, em agosto, a empresa de hipotecas American Home Mortgage (AHM), uma das 10 maiores empresa do setor de crédito imobiliário e hipotecas dos EUA, apresentou nesta um pedido de proteção sob o Capítulo 11 da legislação dos EUA11.

O ápice: estouro da bolha imobiliária, a conseqüente contaminação do sistema financeiro internacional e o mega-pacote de socorro norte-americano (2007 – 2008).

Assim sendo, em meio a esse cenário, em julho de 2007, a bolha imobiliária estourara: o banco de investimentos, Bear Stearns, anunciava que seus investidores estariam impossibilitados de resgatar dinheiro investido em seus fundos hedge – fundos de alto risco lastreados em títulos de dívidas hipotecárias do mercado subprime. Nesse sentido, ainda cauteloso e otimista, tendo assumido como diretor do Federal Reserve em fevereiro de 2006, Ben Bernanke, anunciava uma previsão de que a crise do subprime poderia chegar a custar US$100 bilhões.

Prosseguindo, no mês seguinte, o BNP Paribas (também banco de investimentos) faria um anúncio com o mesmo viés do Bear Stearns, ou seja, os investidores encontrar-se-iam impossibilitados de resgatar seus investimentos devido a menor oferta de dinheiro no mercado financeiro, portanto, diante tais fatos, tornava-se inegável a existência de uma recusa de empréstimos interbancários. Como medida combativa o Fed, portanto, cortava a taxa de juros para empréstimos a bancos pela metade, para 5,75% e os bancos centrais dos Estados Unidos, Canadá, Europa e Japão passam a intervir na economia. Portanto, devido ao grande e crescente nível de interdependência da economia global, uma crise (até então) localizada nas instituições financeiras do mercado imobiliário dos EUA, através de inúmeros e múltiplos canais de comunicação, alastrou-se e contaminou todo o sistema financeiro internacional.

Nos dois meses seguintes, setembro e outubro, a contaminação do sistema se tornaria mais nítida: em 13 de setembro, o banco britânico Northern Rock pediu ajuda financeira emergencial do banco central, em conseqüência, embora o tenha obtido, no dia seguinte seus correntistas efetuaram a retirada de mais de US$ 2 bilhões – uma das maiores fugas de capital do Reino Unido. Não obstante, em 1º de outubro, o banco suíço UBS revelava perdas em torno de US$ 3,4 bilhões, seguido pelo gigante Citigroup o qual divulgara perdas no mercado subprime (no acumulado de seis meses) de US$ 40 bilhões, e por fim, no final deste mesmo mês, o diretor do Merrill Lynch se demitiria após revelar dívidas do banco em torno de US$ 7,9 bilhões. Assim sendo, no final do ano de 2007, precisamente, em 6 de dezembro, o presidente George W. Bush anunciava um plano federal para o congelamento dos juros de empréstimos hipotecários do tipo subprime, desse modo, buscava-se bloquear a execução em massa das hipotecas de alto risco – cerne da crise financeira – e os líderes do G-712 anunciavam, não mais tão otimistas quanto Ben Bernanke, que as perdas com o mercado subprime poderiam atingir US$ 400 bilhões.

Avançando no ano de 2008, a crise provocou uma forte onda de fusões, falências e nacionalizações no setor financeiro: primeiramente, em 7 de fevereiro, o governo britânico nacionalizou o banco Northern Rock; logo após, em 17 de março, o Bear Stearns – quinto maior banco dos EUA – foi comprado por US$ 240 milhões pelo JP Morgan Chase, um ano antes, o primeiro valia US$ 18 bilhões – uma perda de aproximadamente 98,7% de seu valor. Nesse cenário, os bancos passaram a elaborar estratégias de captação de recursos: o Royal Bank of Scotland, UBS e Barclays, entre abril e junho, anunciaram o lançamento de novas ações no mercado – somente o inglês RBS lançara 12 bilhões de libras (mais de R$ 41 bilhões de reais), ou seja, o maior lançamento de ações da história corporativa do Reino Unido.

Prosseguindo, em meio à continuidade nas estatizações, fusões e falências, a crise atingiria seu ápice em setembro de 2008: o Lehman Brothers, o quarto maior banco de investimentos dos Estados Unidos, no dia 10 deste mês, registrava perdas de US$ 3,9 bilhões nos três meses anteriores a agosto – 5 dias mais tarde entraria com um pedido de concordata; não obstante, a Comissão Européia, afirmava que Grã-Bretanha, Alemanha e Espanha poderiam entrar em recessão mesmo antes de o ano acabar; em 16 de setembro, o Federal Reserve anunciava um pacote de socorro de US$ 85 bilhões para tentar evitar a falência da seguradora AIG, a maior do país.

Nesse cenário, buscando evitar a falência de todo o sistema financeiro norte-americano, em 28 de setembro, legisladores anunciaram um acordo bipartidário para aprovação do mega-pacote de, aproximadamente, US$ 700 bilhões para salvar instituições financeiras afetadas pela crise, todavia, no dia seguinte, a Câmara dos Representantes (deputados) dos Estados Unidos rejeitaria o pacote proposto pelo governo americano. Complementando tal panorama, o Wachovia, quarto maior banco dos EUA, era comprado pelo Wells Fargo e, por sua vez, na Grã-Bretanha, o governo confirmou a nacionalização do banco de hipotecas Bradford & Bingley – suas operações de poupança e agências foram vendidas para o Santander, da Espanha. Assim sendo, finalmente, em primeiro de outubro, o Senado americano aprovava por 75 votos a favor e 25 contra o projeto de lei que autoriza o pacote de US$ 700 bilhões para estabilizar o sistema financeiro e, subsequentemente, dois dias após, a Câmara dos Representantes também o aprovava, mas com determinadas emendas.

Considerações finais:

Portanto, buscando condensar os temas aqui abordados e organizando-os de forma mais clara e concisa, faz-se necessário a elaboração de determinadas considerações finais no que concerne à teoria da interdependência complexa; à existência de tal interdependência nas relações financeiras da economia mundial, bem como, buscando avaliar o que isso representa para o futuro da mesma e de seu sistema financeiro; e, obviamente, faz-se necessário tecer algumas conclusões sobre a primeira crise econômica internacional deste século XXI.

Concluímos, portanto, que a Revolução Tecnológica, especificamente, no que tange a tecnologia da informação, desencadeou o aprimoramento da rede de comunicação mundial, isto é, devido ao grande desenvolvimento tecnológico no campo dos meios de comunicação ampliou-se drasticamente a velocidade e o número de canais pelos quais a informação flui. Consequentemente, as relações internacionais passaram a dar-se em um nível de interdependência complexa, isto é, as medidas tomadas por determinado ator ou vários atores do sistema internacional, implicam em conseqüências além dos limites territoriais de seu Estado-nação.

Nesse panorama, buscou-se compreender as conseqüências da interdependência complexa de uma área específica das relações internacionais - a economia internacional, especificamente, a existência de tal interdependência no sistema e relações financeiras internacionais. Desse modo, pode-se concluir, através de uma análise histórico-econômica das origens e desenvolvimento da atual crise econômica internacional, que há uma expressiva interdependência no sistema e relações financeiras internacionais.

No que concerne a crise, pode-se tecer inúmeras conclusões, dentre as quais vale ressaltar o fato de que não somente as medidas político-econômicas norte-americana favoreceram o desenvolvimento da crise, mas também o déficit orçamentário gerado pela “Guerra contra o terror” do governo Bush, cujo impacto sobre a economia estadunidense, já fragilizada pelo estouro da bolha tecnológica, fora severo – fragilizando-a ainda mais. Não obstante, é notório que os rumos político-econômicos dos Estados Unidos aparentam manter certo padrão comportamental no que se refere à reação em momentos de crise, isto é, assim como após o estouro da tecnológica, o governo norte-americano reage com a redução na taxa básica de juros. Nesse cenário, também é possível concluir que devido às alterações expressivas no nível de interdependência no sistema financeiro internacional, fazem-se necessárias alterações no mesmo, desse modo, buscando evitar crises de proporções da atual.

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Volatilidade

Mais uma vez analisando o VIX, índice de volatilidade dos mercados norte-americanos. Acompanhando as altas nos mercados mundiais, tivemos mais uma trégua do índice - atingindo (em queda) a marca dos 57.04 pontos - no entanto, de qualquer modo, volatilidade de um mercado ainda extremamente impraticável. O MACD do mesmo, rompeu a marca de seu último suporte.
Podemos tirar duas conclusões:
a) O mercado está de fato se acalmando, o VIX está rompendo a LTA (mas precisamos de um pivot para confirmação) e inicia-se uma tendência de queda. Eu sei. Pouco provável.
b) O mercado está se acalmando momentâneamente, o VIX está tocando na LTA e se preparando para um repique e novos movimentos de alta.



Análise geral

Após três dias consecutivos de alívio para nós investidores, acumulando (nos últimos 7 dias) uma alta de 10.77%, o nosso brazuca Ibovespa voltou a operar em queda. Entretanto, até o presente momento o mercado já recuperou grande parte das perdas no intraday - muito embora seja óbvia a tendência de fechamento (com uma disparada no final do pregão) em queda.

Todavia, grande parte dos mercados mundiais operam (ou fecharam) em alta no intraday, no semanal, por seu lado, somente a China registra queda de 14.06%. O tupiniquim Ibov registra baixa em suas operações devido às notícias de baixa no preço do minério de ferro e, por sua vez, subsequente baixa na Vale (blue chip da Bolsa de Valores de São Paulo).

Índices mundias de: 24-10-2008 e 31-10-2008

Nesse cenário, a despeito da desaceleração espanhola (retrocedendo 0,2% no 3º trimestre), os mercados mundiais se mantém operando em altas relativamente boas - um momento de alívio e retomada da racionalidade, bom sinal.
No que concerne aos mercados emergentes, segundo o "Financial Times", estes ganharam tempo para dar uma respirada - devido a redução na retirada de capital estrangeiro. Todavia a crise atinda vai se desdobrar mais e mais sobre a economia real e, portanto, ainda teremos diversos momentos de pânico. De fato os preços estão baratos e é tentador comprar, os 29 mil pontos representam um bom suporte, entretanto, acredito que ainda será rompido e o fundo do poço será encontrado mais abaixo.
Apesar de todo o pânico dado ao futuro da economia nas nações emergentes, graças a significante baixa no preço das commodities, contudo, vale ressaltar que o centro da demanda internacional transfere-se, cada vez mais, para a China, isto é, o nível de demanda é colossal - extremamente superior àquela vivenciada no pós 45, devido a reconstrução da Europa. Assim sendo, o consumo e (provável) recuperação dos preços das commodities está, de certa forma, apesar de todos os riscos ao usar tal termo, garantido.

As origens da crise: a bolha tecnológica, o relaxamento da política fiscal e a Guerra contra o terror (1999 – 2003)

As origens da atual bolha imobiliária e seu estouro, dando início à primeira crise econômica internacional, remontam a fins dos anos 1990. Segundo Dean Baker “Esse processo começou com a ultravalorização do mercado acionário.” (Baker, 2004). Durante a década de 1990, a despeito da Guerra do Golfo e da recessão econômica entre 1990 e 1991, o índice Dow-Jones – impulsionado pelo crescimento colossal no valor de ações do setor de tecnologia – valorizou cerca de 10.000 pontos, elevando-se dos 2.000 aos 12.000 pontos (8.000 desses somente na segunda metade da década, ou seja, em apenas cinco anos). Conseqüentemente, “Esses investidores tinham muito dinheiro em mãos para gastar com casas. As pessoas passaram a especular com os imóveis, sempre na expectativa de retornos cada vez mais altos" (Baker, 2004). De fato, qualificando a afirmação de Dean Baker, em janeiro de 1999, indicadores econômicos demonstravam as decisões de compra de imóveis novos em patamar recorde desde os anos 70.
Entretanto, a euforia econômica, fruto da valorização excessiva das ações negociadas na Nasdaq , figurava tão somente o prelúdio para o estouro de uma bolha especulativa no mercado e subseqüente desvalorização das mesmas. Muito embora a existência de bolha tecnológica no mercado financeiro fosse freqüentemente ignorada ou descartada, como o foi feito, no início de 1999, pela maior parte dos economistas americanos presentes em reunião promovida pela Associação de Economistas Americanos. No entanto, em 13 de março de 2000, pode-se afirmar que o estouro da bolha de tecnologia ocorreu: o índice da Nasdaq registrava então queda de 2,8%, desse modo, interrompendo uma alta acumulada naquele ano de 24%. Assim sendo, a partir de então, a bolsa de valores das empresas ligadas ao setor tecnológico amargaria queda de cerca de 40% até o final de outubro deste mesmo ano.
Nesse cenário, os Estados Unidos entrariam no século XXI, após um ano do estouro da bolha tecnológica, apresentando indicadores os quais davam sinal de recessão econômica doméstica: cortes significativos já ocorriam na taxa básica de juros; o “leading indicator” (uma média dos dez principais indicadores da economia norte-americana) apresentava queda, em dezembro de 2000, de 0,6%; o contingente de falências pessoais passaria somente a crescer, ano após ano; a taxa anualizada do PIB do quarto trimestre de 2000 registrara marca de 1,4% – a menor desde os 0,8% registrados em 1995; a recessão industrial e os subseqüentes cortes nas folhas de pagamento implicavam no aumento do desemprego.
Não obstante, somando-se aos inúmeros fatores negativos os quais afetavam os Estados Unidos nesse breve início de século, em 11 de setembro de 2001, o mito da inviolabilidade do território norte-americano seria refutado por ataques terroristas a seus símbolos de poderio militar e econômico: as emblemáticas torres gêmeas do World Trade Center – representantes do triunfo capitalista dos EUA – ruiriam após serem atingidas por aeronaves norte-americanas seqüestradas; o Pentágono – centro e signo do hard power estadunidense – também seria atingido por uma aeronave seqüestrada por terroristas. Nesse panorama, o republicano recém eleito presidente, George W. Bush, poria em prática uma política externa austera – iniciar-se-ia a, então denominada, “Guerra contra o terror”.
Desse modo, a despeito da fragilidade em que se encontrava a economia norte-americana, o governo Bush prosseguia com uma onerosa campanha militar – cujo custo fora, obviamente, subestimado pelo presidente norte-americano o qual afirmara que a guerra no Iraque despenderia apenas US$ 1 bilhão. O déficit das contas públicas dos Estados Unidos, de janeiro a dezembro de 2003, já somava US$ 375 bilhões. O Federal Reserve, por sua vez, em junho deste ano reduziriam a taxa básica de juros do país ao nível de 1% ao ano – menor nível desde o governo Truman em 1948 – nesse patamar, a taxa de empréstimo dos bancos aos clientes gira em torno de 4% e, evidentemente, a procura pelo crédito tenderia a crescer dramaticamente. Assim sendo, elevava-se a especulação imobiliária – setor primordial do crescimento estadunidense – e, por conseguinte, alimentava-se o desenvolvimento da bolha em tal âmbito.
P.S.: Parte de um estudo maior sobre a crise o qual divulgarei na íntegra em breve.

Efeito Inglaterra pisando no freio

Mais um dia de pânico nos mercados mundiais. Corroborando com a tendência já anunciada pela retração econômica da China, isto é, com uma tendência de recessão na economia mundial, a Inglatera - quarta potência econômica mundial - anunciou retração de 0,5% em seu PIB somente neste último 3º trimestre, desse modo, todos os mercados mundiais registram quedas em suas operações.



O nosso brazuca Ibovespa opera em queda de 6,22%, desse modo, trabalhando próximo do patamar dos 29000 pontos - possível fundo do poço do atual bear market. Entretanto, caso o mercado rompa novamente as bandas de Bollinger devemos esperar mais um correção técnica para dentro das mesmas. O dólar, por sua vez, a despeito de sua disparada, a ação do BC surtiu efeito e o mesmo opera em queda - entretanto, registrando alta até o presente momento.





Crise: novas perspectivas, novos olhares.

É isso aí! Novidade chegando. Em breve, muito em breve, este jovem blog terá o privilégio de avaliar a atual crise na economia internacional e seus impactos através de um prisma, digamos, no minímo, interessante.
Mais notícias sobre em breve...

Algumas considerações sobre crise.

Segundo o dicionário Houaiss, temos:
CRISE
Etimologia
Do latim: crìsis,is "momento de decisão, de mudança súbita, crise".
Do grego: krísis,eós "ação ou faculdade de distinguir, decisão" e, por extensão, "momento decisivo, difícil".
Avaliando o contexto atual, de fato, vivemos um momento decisivo na economia internacional cujo cenário econtra-se, inegávelmente, repleto de mudanças súbitas - uma crise. No que concerne a nós, investidores e estudiosos do mercado fianceiro, vivemos um momente difícil e precisamos saber distinguir quais ativos nos representam oportunidades - no curto, médio e longo prazo.
Falando em crise e oportunidade. Quem nunca leu em algum site ou blog sobre investimentos aquela famosa frase de John Fitzgerald Kennedy: "Quando escrita em Chinês, a palavra "crise" está composta de dois carácteres, um representa perigo, o outro representa oportunidade."
Nesse panorama, hoje o Diário Oficial da União divulgou MP autorizando o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal a constituir subsidiárias integrais ou controladas e adquirir participações de instituições financeiras, públicas ou privadas, sediadas no país.
Por conseguinte, temos, para ambos os bancos, uma grande oportunidade de crescimento e um possível subsequente reflexo na valorização de seus papéis no médio/longo prazo. Desse modo, por outro lado, nós temos a chance de avaliar tal oportunidade e, quem sabe, realizar alguns trades vitoriosos.